quinta-feira, 21 de junho de 2018

O enjaulamento de filhos de imigrantes nos EUA não pode ser aceito



O recente escândalo das crianças separadas dos pais, num campo de detenção para imigrantes no Texas, reacendeu a discussão sobre a crise imigratória. A barbárie que antes se via na Europa, agora mostra as caras nos EUA de Trump. Cerca de 2000 crianças foram separadas de seus pais após serem capturados tentando cruzar a fronteira dos EUA nas últimas semanas. Dos mais de 108.000 imigrantes ilegais presos esse ano na região do Rio Grand Valley, 36% são famílias inteiras. 

As imagens são impressionantes e chocam até mesmo profissionais da mídia acostumados com todo tipo de absurdo, como foi o caso de Rachel Maddow, âncora do canal estadunidense MSNBC. A repórter não conteve as lágrimas ao noticiar o ocorrido e não conseguiu prosseguir noticiando o fato. A brutalidade das imagens se assemelha com outros casos que repercutiram bastante, como o menino sírio morto numa praia da Turquia, ou o caso da cinegrafista húngara que passou a rasteira em um pai com uma criança no colo enquanto ele fugia da policia com outros imigrantes. 

A declaração de Trump, para justificar as gaiolas e a separação de crianças dos seus pais, é de que os imigrantes podem ser diferentes, assassinos e ladrões e não podem se misturar com os estadunidenses. 

A perseguição de imigrantes do dito "terceiro mundo" é crescente até mesmo em países como a Austrália, com o enfraquecimento do mercado de minério, imigrantes que antes tinham emprego garantido, acabam caindo nos índices de desemprego e consequentemente marginalizados por parte dos australianos.  No país, partidos com tolerância zero para imigrantes, vêm ganhando forças na sociedade, como o One Nation, que defende um programa de redução da imigração para zero.  

Nesta quinta-feira (21), o partido ultraconservador da Hungria, Fidesz, aprovou uma lei que pune com prisão de até um ano, grupos ou pessoas que ajudarem imigrantes ilegais no país. O projeto é do populista de direita Viktor Orbán, e foi batizado de Lei Detenha Soros, fazendo alusão ao magnata George Soros, que defende uma sociedade mais aberta em relação à imigração.

No mesmo dia, Matteo Salvani, ministro do interior, negou a entrada de um navio com quase 225 imigrantes na Itália e advertiu ainda que não ira permitir que nenhuma ONG que ajude imigrantes, atraque nos portos do país.  Há cerca de dez dias, um navio da ONG Médicos Sem Fronteiras, com 630 imigrantes também havia sido impedido de entrar no país e teve de ir até Valência na Espanha. Matteo é membro do partido de extrema direita.

O avanço da direita e de políticas conservadoras tem provocado ao redor do mundo, o descaso, o preconceito e a perseguição a imigrantes. A intolerância cresce a medida que a crise econômica também assola países desenvolvidos e sub-desenvolvidos como o caso do Brasil. Nas últimas pesquisas, candidatos de direita com discurso anti-imigração, vem ganhando notoriedade e aparecendo em primeiro nas disputas dos principais cargo do executivo e do legislativo no país. É preciso frear o avanço conservador no Brasil e no mundo.

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